JIBOIANDO: Conhece essa prática?

Hoje, 1º de agosto, iniciamos um novo mês, as férias de julho acabaram e é hora de voltar à rotina (para as mamães e papais, principalmente). Por acaso passou pelos seus pensamentos que a contagem regressiva para o fim do ano começa agora? Pois bem, ontem mesmo conversando com um amigo ele me disse que sua família já está planejando as festas da “virada”! Não sei você, mas eu tive um sobressalto… rs… e resolvi refletir sobre esse mês.

Não temos feriado, mas temos uma data comemorativa, é Dia dos Pais, embora possa ser comemorado todos os dias, o comércio precisa fazer girar a economia não é mesmo? (para mim é mais um blá blá blá, porém vivemos numa sociedade capitalista e sendo assim, tento enxergar que para mantê-la é preciso criar essa necessidade de consumo em tempo integral), as férias se foram, mas ficaram as histórias e aventuras para contar aos amigos do trabalho, da escola e também a família e isso é bem legal, mas , entre as férias que se foram e as férias que estão por vir, ainda sobram aproximadamente 4 meses. E o que vamos fazer neste tempo? Você pode voltar para a correria do cotidiano e dizer que não tem tempo de praticar exercícios, cuidar da alimentação, ler um livro, meditar ou simplesmente “ficar “jiboiando” no sofá”, a propósito você conhece esse termo “jiboiando” ou “jiboiar”? Permita-me explicá-lo.

Certa vez, fiz uma viagem à cidade de Porto Velho em Rondônia, região norte do país e logo após o almoço, um primo me disse “Agora vou ficar aqui jiboiando”. Sim, foi isso mesmo, imaginem minha cara de Ham? Ele me olhou rindo e disse: “Prima quando a jiboia come um animal bem grande ela fica dias parada só fazendo a digestão, então ela está jiboiando”, (hahahahaha) nós caímos na risada e desde então adotei o termo, aliás, não só adotei, mas também o faço na prática. Sei que deve estar dizendo “mas na correria do dia-a-dia não dá para jiboiar”, e eu concordo com isso, porém precisamos nos policiar e arrumar uns minutos para silenciar nossa mente e nosso coração (sim, ele também) e deixar nosso corpo descansar. Pense nisso:

O corpo é a passarela da alma!

Somos alma e corpo, para viver no aqui e agora, precisamos de ambos. Se algo não vai bem na alma (ou mente, ou psique, use o termo que preferir) o corpo adoece, e se o corpo é invadido por algum vírus ou bactéria, a alma também pode adoecer. Pare e reflita por um minuto somente: Eu tenho praticado o descanso da jiboia? Tenho tempo para jiboiar? Desejo ficar jiboiando?

Muitas pessoas me perguntam sobre o que fazer para ter mais tempo e eu devolvo a pergunta dizendo:

Para quê quer mais tempo? Para cuidar de você ou para se atolar em mais atividades e esconder de si mesmo suas angústias?

Geralmente, ouço primeiramente o silêncio como resposta e depois algo do tipo “Tá dizendo que eu quero fugir dos meus problemas?” VOILÁ como diriam os franceses, AÍ ESTÁ, eis a reflexão, muitas vezes procuramos ocupar nosso tempo assumindo cada vez mais responsabilidades para deixar de lado nosso trabalho de autoconhecimento, é mais fácil colocar a culpa no que é externo, e isso pode envolver qualquer atividade diária, o trabalho, os filhos, a faculdade, cuidados excessivos com alimentação e exercícios, compulsões por compras, sono em excesso, enfim, ficaria o dia inteiro listando situações, porém quando me permito ouvir ou até mesmo observar meu próprio corpo? Sei o que me agrada, o que me faz arrepiar ou suar frio? Conheço os pontos que me dão prazer? O toque do outro me alegra ou entristece? E indo um pouco mais longe: Conheço meus pensamentos? Qual minha opinião sobre mim? Quando me olho no espelho, o que vejo, meu reflexo ou minha consciência?

Sei que nada é tão simples assim, mas é preciso começar de algum lugar não é mesmo? Portanto:

“Comece,

não espere pela coragem,

ela nos encontra caminhando”.

(Márcio Kühne).

 

Vou deixar aqui o convite… BORA JIBOIAR?

 


Juliana Ferreira
Psicóloga - CRP 06/130793 em Consultório Psiquê?

Curiosidade e superação são seu lema. Optou pela psicologia na segunda fase de sua vida, quando questões complexas do tipo “Quem sou eu?” começaram a martelar em sua cabeça. Amante da psicologia analítica (junguiana), encontrou nela a interpretação da psiquê (mente e alma) através dos símbolos e das mitologias. Observar os sonhos, os desenhos e toda a arte produzida pelo ser humano é o seu hobby atual.


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