Meu filho (a) fala “auau” ao invés de cachorro, é normal para sua idade?

*Pensando a padronização do desenvolvimento infantil.

Olá pessoal, tudo bem? Hoje venho aqui, refletir com vocês sobre a padronização de comportamentos no desenvolvimento infantil. A pulga atrás da minha orelha apareceu quando ouvi a notícia do estabelecimento de uma nova meta criada pelo Ministério da Educação (MEC) na qual todos os estudantes devem estar alfabetizados até os sete anos de idade (2º ano do ensino fundamental). Não estou criticando a meta e acredito que se tivéssemos em nosso país um sistema de ensino público eficaz as coisas seriam bem melhores, mas gostaria de pensar naqueles indivíduos que não se encaixam nesses padrões, que devido algum problema emocional causado por questões familiares, sociais, doença biológica ou até herança familiar, não conseguem atingir esse objetivo.

Certo dia, uma amiga me procurou porque estava preocupada com seu filho de 2 anos e 3 meses, dizendo que ele tinha um “atraso” no desenvolvimento da fala. Ela conta que a equipe técnica da creche estava pedindo um parecer de uma fonoaudióloga porque a criança quando questionada sobre o que era a figura de um cachorro ou gato respondia: “é o auau” ou “é o miau” e pasmem, o comparou com outra criança de 2 anos e 11 meses, dizendo que a mesma já respondia “é um cachorro/gato”. Não só citaram o caso como levaram a criança até minha amiga e mostraram a ela pedindo que a mesma respondesse o que era determinada figura.

Não estou criticando a postura dos profissionais, pois não conheço o comportamento da criança dentro do estabelecimento, mas me preocupa essa ideia de comparação e também de padronização no desenvolvimento. É claro que existe uma média de idade para que cada coisa aconteça, por exemplo, a criança andar entre 12 e 18 meses, mas isso não quer dizer que a criança que ande com 11 ou 19 meses tenha algum “problema” porque se antecipou ou atrasou. É sempre bom observar o histórico familiar, saber como foi o desenvolvimento dos pais, no caso que citei, a avó paterna conta que até os quatro anos acreditava que o pai do menino em questão, seria mudo porque pouca falava. Isso precisa ser levado em consideração. Num ambiente ou núcleo familiar no qual a criança recebe pouco estímulo isto também pode acontecer.

Por isso oriento sempre que peçam uma segunda opinião, se o pediatra disse algo que você (mãe/pai/cuidador) não sentiu confiança, procure outro. O mesmo acontece nas escolas, creches e instituições que atendem nossas crianças. Não aceite qualquer rótulo, questione e procure mais de um parecer para qualquer diagnóstico.

Abaixo apresento uma ilustração com algumas dicas de observação (lembre-se de não aceitar isso como padrão, ok?) para desenvolvimento da fala e audição, deem uma olhada e caso tenham alguma dúvida deixem seus comentários abaixo que iremos responder.

E para matar a curiosidade de alguns, o filho da minha amiga passou por duas fonoaudiólogas e ambas, tiveram a mesma opinião. Seu desenvolvimento está bom para sua idade e não precisa de tratamento. A última fez inclusive um ótimo relatório para a instituição pedindo encarecidamente que excluam de seus procedimentos algumas comparações.

Voltando a meta do MEC sugiro que acompanhem de perto seu filho durante o período de aprendizado, conversem com os professores e procurem um profissional qualificado (pediatra que o acompanha e conhece seu histórico de preferência) para pedir orientação caso seja necessário. Ah, nunca se esqueçam de seu histórico familiar e de questões relevantes para o emocional (problemas de separação dos pais, morte de ente querido, dificuldades em fazer amizades, etc.) que podem influenciar no desenvolvimento cognitivo da criança.

É importante também verificar nossas expectativas em relação a criança. Muitas vezes, as comparações começam dentro de casa com os irmãos mais velhos e isso também pode causar algum dano emocional ao filho em desenvolvimento.

Em ambas as situações, PROCURE UM PSICÓLOGO, este profissional, junto a você e seu filho, poderá contribuir no entendimento da situação e ajudar a aliviar alguma angústia existente.

Fonte imagens:

http://www.tudointeressante.com.br/2015/05/30-fotos-provando-que-toda-crianca-precisa-de-um-cachorro.html

http://fonoaudiologarj.blogspot.com.br/2012/08/desenvolvimento-normal-da-fala-e-audicao.html

 

 


Juliana Ferreira
Psicóloga - CRP 06/130793 em Consultório Psiquê?

Curiosidade e superação são seu lema. Optou pela psicologia na segunda fase de sua vida, quando questões complexas do tipo “Quem sou eu?” começaram a martelar em sua cabeça. Amante da psicologia analítica (junguiana), encontrou nela a interpretação da psiquê (mente e alma) através dos símbolos e das mitologias. Observar os sonhos, os desenhos e toda a arte produzida pelo ser humano é o seu hobby atual.


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