Barba crescendo, mudanças no corpo, voz esquisita… O fantástico mundo de “você está entrando na puberdade!” E agora?

Já que o universo feminino foi o foco do post anterior, hoje vamos falar do masculino. Acredito que as transformações da adolescência para vocês meninos também não são nada fáceis e apesar de existirem questões sociais e de cultura onde a puberdade x a sexualidade para os meninos seja mais “incentivada” pelo público em geral (mais pelos homens/pais) acho que mesmo assim rolam muitas dúvidas e questionamentos sobre tantas transformações e nem sempre temos total liberdade de tratá-las com nossos pais, muito menos nossas mães, não é mesmo?

Quem aí nunca escutou de algum adulto da família: “Isso aí, você é menino, adolescente, tem que pegar geral mesmo, transar bastante!” Ok, não julgo esse discurso, pois como disse isso faz parte da cultura, baseada num modelo bem antigo, desde os homens das cavernas, que eram caçadores, agressivos, fortes, dominadores, ativos e provedores. Já as mulheres ficavam nas cavernas esperando o animal que o forte marido caçou para ela preparar o alimento, trazendo a visão de uma fêmea frágil, passiva, submissa, afetiva e delicada. Essa visão tem mudado um pouco, mas sem dúvidas que ainda está muito enraizado na maioria das pessoas.

Mas e aí? A transição da vida infantil para a adolescência se resume só nisso? “Transar bastante?”. E sobre acordar parecendo que fez xixi? E ter ereção às vezes sem mesmo querer? E a vontade descontrolada de querer se masturbar o tempo todo, antes mesmo da primeira ejaculação? Os pelos nas axilas, peito, testículos? A voz e o pênis que vão mudando? Ah, sem contar com a tal da pele, que todos levam na zoeira a fimose, mas que ninguém explica de fato o que é e quando é preciso fazer cirurgia ou não… E então, é SÓ transar?

Acho que essa fase é sim muito importante, causa ansiedade, dúvidas, medos e às vezes inclusive é preciso reprimir tudo isso, pois como falamos lá sobre a cultura, o menino tem que nascer pronto pra saber transar né?! #SQN! Inclusive, a maioria dos meninos quer que aconteça logo, porque rola até umas “zoeiras” por parte dos amigos ou familiares por que você ainda é virgem, com, sei lá, 17, 18, às vezes 20 anos… Porque não? Fora as comparações, pois cada um desenvolve no seu tempo, não é porque seu amigo de 12 ou 13 anos já tem pelos que você é uma aberração porque tem 15 e ainda não tem! Calma, eles vão aparecer, assim como todas as outras fases de desenvolvimento a adolescência também é muito subjetiva, não é igual pra todo mundo.

Então, percebe que antes mesmo da tal esperada e desejada transa todas essas etapas anteriores que citei estão acontecendo e são muito normais? E você sabe lidar com tudo isso? Consegue numa boa falar com seus pais ou amigos sobre essas transformações? Nem sempre né? Então vamos tentar falar aqui abertamente de alguns pontos importantes desse processo, que ainda gera constrangimentos para serem perguntados, ok?

Outro ponto também muito taxado na nossa cultura seja pelo lado dos que incentivam demais e por outros que acham ser algo sujo, errado e pecaminoso é a masturbação! E você fica aonde no meio disso tudo? E se a mãe descobre ou vê? Aí ferrou de vez né? A masturbação é uma forma de se conhecer, faz parte da sexualidade, da obtenção do prazer, saber como seu corpo funciona, inclusive para entender se há algo de errado acontecendo, é um direito seu. Claro que tem hora e lugar para isso, é algo reservado, íntimo, mas não se sinta mal se de repente você queira muito isso, toda hora. Existem picos de hormônios na adolescência, então terá períodos em que a vontade estará desenfreada, com o tempo você vai conseguindo administrar. Mas como eu disse, nem sempre é igual para todos, não tem nada de anormal caso você não queira tanto quanto seu amigo, certo?

E as mudanças do corpo? A história do Patinho Feio do post anterior também se encaixa perfeitamente no caso dos meninos. É tudo muito estranho! Ou você “estica” demais e fica parecendo um “pau de vira tripa”, ou você não cresce e se torna o “anão de jardim”, ou seja, qualquer uma das opções é motivo de zoação, não é mesmo? Aí saem dois míseros pelos na barba, cadê o resto? E o cheiro? Daí você começa entender porque existem milhões de tipos de desodorantes de axilas e perfumes, né? O rosto parece o chocolate “chokito”, de tanta espinha, ou fica aquela pele “bumbum de neném”… Percebeu uma coincidência em tudo que citei? Não? Veja bem, se você passar ou não por todas as fases da puberdade sempre existirá alguma “trollagem” relacionada às mudanças ou comparações em relação aos colegas. Por isso relaxe! Não se sinta constrangido caso ainda não tenha tido a primeira ejaculação, ou porque ainda não tem pelos suficientes em qualquer parte do corpo, não fique querendo prever o futuro para saber em qual perfil você se encaixará, se terá espinhas, ficará alto, será peludo, ou não, o importante é que você vai passar pela puberdade, de qualquer jeito. Por isso deixe o tempo passar, você irá vivenciar tudo isso, no seu ritmo e do jeito que terá que ser pra você! Ah, não esqueça de deixar de lado as suas próprias comparações, ok? Muitas vezes nós mesmos queremos que as coisas aconteçam rapidamente e isso pode lhe causar ansiedade.

E então, muitas mudanças, não? Corpo, voz, genital, desejos, fora os sinais emocionais que nem citei né? Oscilação de humor, ansiedade, isolamento, ufa, é muita coisa né?! Tudo junto e misturado! Por isso não se sinta acanhado, ou envergonhado de não entender nada disso, de ter dúvidas, inclusive medo da primeira relação sexual. Você não tem obrigação nenhuma de nascer sabendo só porque é homem, inclusive, aposto que seu pai ou alguma figura masculina próxima a você também passou por tudo isso e hoje prega essa pinta de que: “Quando eu era adolescente era o bonzão, saia pegando e transando com todas as minhas amigas….”. Isso pode até ser verdade, mas pelo menos a primeira, talvez até a segunda transa dele com certeza não foi perfeita, no sentido de ter corrido tudo bem porque ele já sabia de tudo. Ah, não mesmo!

Nem preciso falar aqui das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) né? E gravidez? Eu sei, nessa idade a gente acha que NADA, vai acontecer com a gente, fica naquele pensamento: “Ah, foi só uma vez, não tinha camisinha e estava com muita vontade…” Aham, é aí que mora o perigo. Por isso, previna-se SEMPRE! Dessa “só uma vez” pode surgir algo que dure a vida inteira, como um bebê, ou uma doença que coloque sua vida em risco.

Por fim, eleja alguém que você se sinta à vontade para falar sobre isso, por mais amigos que seus pais sejam, por mais que permitam uma relação aberta com você eu sei que é muito difícil falar sobre esses assuntos com eles, eu digo por experiência própria, sempre tive pais que me esclareceram muito sobre questões do corpo e sexualidade, inclusive quando eu tinha uns 10 ou 11 anos eles me deram um livro infantil da sexóloga Marta Suplicy que explicava tudo! As mudanças do corpo, os órgãos genitais femininos e masculinos, como se faziam os bebês, enfim, mas muita coisa eu não conseguia falar com eles quando adolescente, coisas pessoais que nem sempre estão nos livros. E sabe o que aconteceu? Eu fui guardando, falava uma coisinha com uma amiga ou outra, mas nada que me esclarecesse de fato… E aí a gente vai levando, empurrando, reprimindo… E deixa pra resolver quando? Na vida adulta! Na terapia! Sim, vai por mim, a gente nem imagina o quanto temos de “vestígios sexuais” reprimidos da infância/adolescência na nossa vida adulta.

Por isso, caso você sinta necessidade, não espere ficar adulto para tratar dessas questões, peça aos seus pais um psicólogo para tirar suas dúvidas, entender seus desejos…

“Mas precisa ser um psicólogo?”. Olha, não necessariamente, pode ser um médico, um clínico, pediatra, ou até um tio, um primo, não sei… Mas te garanto que o profissional mais capacitado pra se colocar no seu lugar, dar importância a tudo que vai falar, sem te julgar e que pode te ajudar a entender seus questionamentos de vida, fazendo com que se descubra internamente é o psicólogo, afinal, essa é a função dele! Não desmerecendo os demais profissionais, de forma alguma, mas nos campos da medicina o foco geralmente são os sintomas (não que isso seja regra, pois existem profissionais da medicina que também oferecem uma escuta mais individualizada, ou, inclusive, indicam terapia ao paciente que o procura com muitos questionamentos), já da psicologia é entender o sintoma, tente passar com ambos, se possível, e escolha qual você prefere!

E não deixe de fazer comentários, colocar suas dúvidas, sugestões e dizer o que achou do post, ok? Estamos aqui para te ouvir (ou ler, no caso)! E se quiser tratar de questões mais pessoais e privativas pode nos enviar um e-mail também! Esperamos que o post tenha lhe ajudado de alguma forma.

Abraços,


Aline Carneiro
Psicóloga - CRP 06/133070 em Consultório Psiquê?

Do signo de áries e nascida em 23 de março, é psicóloga e amante dos exercícios físicos e da alimentação saudável. Quando acredita em algo, luta sem descanso com muita energia e entusiasmo para conquistar seus objetivos. Bem família, tia e madrinha coruja, companheira, protetora e amiga, mas também impulsiva, impaciente, um pouco teimosa e mandona.


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