Juliana Ferreira

Juliana FerreiraQuem é você? Quem está por trás do Psiquê?

Confesso que essas perguntas ainda me assustam…

“Mesmo depois de 4 anos de terapia e 5 anos de graduação em psicologia?”

Sim! Elas me assustam. Ah, e sim, eu ainda faço terapia e vou ao psicólogo. “Como assim, psicólogo na terapia? Você chora? Fica triste? Também não sabe quem é e está em busca de algo que nem sabe o que é?”

Pois é. Se você esperava que eu, Juliana Ferreira, 35 anos, psicóloga, fundadora da página Psiquê? e formada também em administração de empresas, era alguém com todas as soluções para as questões da vida resolvidas, você se enganou. Na verdade eu caí na psicologia por um mero acaso do destino (quer dizer, não sei se foi um acaso, mas enfim…).

Estava eu vivendo minha linda vida, trabalhando e ganhando um salário, digamos, muito bom! E eis que de repente descubro uma deficiência física causada por uma alteração genética, e fico sabendo também que não poderia mais exercer atividades que exigissem esforço físico ou de locomoção exaustivos.

Na verdade essa deficiência eu já conhecia, mas… como assim parar de exercer minha profissão amada? Estava formada em administração e trabalhando numa empresa multinacional… ficar em casa “para não fazer esforço físico e comprometer a progressão da doença”? Você deve estar pensando que neste momento resolvi procurar um psicólogo, não é? Mas NADA DISSO. Eu pensei: “Vou enfrentar tudo sozinha, vou ficar um tempo pensando na vida e ver no que vai dar…”

Mas que ilusão!

Mas eu fiquei, viu… Foi um ano que passei lendo e enfrentando médicos e especialistas e só, só isso. Até que um dia veio aquela voz, sabe aquela que não queremos ouvir? E ela me disse em tom de cobrança (ah, esqueci de dizer, eu também me cobro, um pouco menos que antes da psicologia, mas ainda faço isso): “Você vai ficar aí sem fazer nada, esperando os anos passarem?”.

Ai que raiva eu senti… Quem era ela pra falar assim comigo? Veja bem, COMIGO não! Minha primeira reação foi essa: “NÃO! NÃO, ME VENHA COM ESSA CONVERSA! Estou aqui tranquila, tentando lidar com o fato de que minhas pernas não respondem ao comando do meu cérebro e você vem com essa de ver os anos passarem?”

Até que um dia um médico, que hoje se tornou meu amigo, me disse: “Acho que você precisa estudar. Gosta de ler e escrever? Refletir sobre o universo, as questões sociais, sobre os porquês das coisas? Então vá estudar!” Nossa, que raiva maior ainda eu tive quando ela, aquela voz dentro de mim, disse “Eu te avisei”. Mas como não queria demonstrar o meu nervosinho e “piti” interno, saí do consultório feito uma lady e adivinha o que decidi? Estudar!

Novamente uma graduação, novamente livros, cadernos, noites sem dormir? Sim! Era tudo que eu queria e não conseguia aceitar. Foi lindo, fiz o vestibular e depois a matrícula no curso de psicologia, e percebi que a ansiedade só aumentava conforme a data de inicio das aulas ia chegando. Com o início vieram as descobertas, as novas reflexões, todos aqueles teóricos, todas aquelas técnicas e só aí eu descobri que precisava da terapia. Eu precisava saber, ter a sensação de estar na posição de paciente, ouvir aquela mulher falar sobre mim – aliás, ela não falou sobre mim, ela fez melhor: me ensinou a me olhar, me conhecer, me definir.

Mas mal sabia eu que o melhor estava por vir. A grande realização da minha terapia  foi quando eu FALEI DE MIM! Vocês não imaginam a sensação maravilhosa de conseguir sair da caverna (lembram de Platão e o Mito da caverna? Foi assim que eu me senti) e enxergar o horizonte e ele era lindo e estava ali a minha frente.

Hoje eu FALO de mim, mas ainda engasgo, me assusto e talvez por isso resolvi começar o texto “sobre mim” com aquelas questões. Tenho muitas ainda – eu ainda choro assistindo filme, fico com raiva do autor do livro quando meu personagem preferido morre, sinto borboletas no estomago quando encontro um novo amor e tenho nós no mesmo órgão quando o amor se vai, mas ao menos agora eu posso compartilhar da minha experiência e reflexões com vocês. Isso é legal não acham?

Eu acredito que nada acontece em nosso cotidiano sem ter um sentido, então “bora” refletir sobre tudo o que nos chama atenção e buscar uma resposta para aquelas perguntas mais íntimas que não sabemos responder. Talvez ela esteja dentro de nós, mas precisamos parar para ouvir “aquela voz”.

Ah, e continue nos acompanhando, em breve teremos posts explicando a escolha do nome e do logotipo!

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